Oriximiná entre as melhores do Brasil: terceira maior nota no Prêmio Luiz de Castro Faria, do Iphan

Museu Histórico Cultural Deputado Gabriel Guerreiro, em Oriximiná.
Museu Histórico Cultural Deputado Gabriel Guerreiro, em Oriximiná.

Um pedacinho de barro encontrado no quintal de uma casa de Oriximiná levou o nome da nossa cidade para o topo de uma lista nacional. A ACASCEO, em parceria com o Museu Municipal e com estudantes de Arqueologia da UFOPA, ficou com a terceira maior nota do Brasil no Prêmio Luiz de Castro Faria, a maior premiação do país dedicada a proteger o patrimônio arqueológico. Foi uma disputa de gente grande. Concorreram mais de duzentas propostas de todos os cantos do país, e só 18 chegaram à lista final da nossa categoria, ao lado de universidades e grandes museus. Nossa nota foi 9,30. O segundo lugar ficou com 9,47, uma diferença de apenas 0,17 ponto. Ficamos a um passo do segundo lugar.

Gráfico com as três maiores notas da categoria: 9,83, 9,47 e 9,30 (ACASCEO)
As três maiores notas da categoria de ações continuadas.

O Prêmio Luiz de Castro Faria é promovido pelo Iphan, o órgão do Governo Federal que cuida do patrimônio histórico do Brasil, e reconhece as ações que mais se destacam na proteção da nossa história mais antiga, aquela que está enterrada no chão. Na edição deste ano, os dois projetos que ficaram à frente do nosso trabalham com povos indígenas do Xingu e com educação patrimonial no Maranhão. Estar ali, entre eles, já diz muito. E a ACASCEO tem pouco mais de um ano de existência como associação formalizada, o que torna esse resultado ainda mais bonito.

Peças arqueológicas do acervo do Museu Municipal de Oriximiná.
Peças arqueológicas do acervo do Museu Municipal de Oriximiná.

A história por trás da nota é a melhor parte. Oriximiná é uma terra de cerâmicas antigas. Moradores da cidade e do interior encontram, de vez em quando, vasos e fragmentos feitos por povos que viveram aqui há muitos séculos, e muita gente leva essas peças ao Museu Municipal. O museu recebia tudo com carinho, mas ainda não tinha um espaço técnico para guardar e registrar cada peça, e havia o risco de o tempo apagar essa memória. Foi então que uma equipe voluntária resolveu agir.

Caixas com peças que aguardavam análise antes do trabalho de catalogação.
Caixas com peças que aguardavam análise antes do trabalho de catalogação.

Desde novembro de 2025, todo mês, essa turma se reúne no museu para limpar, fotografar e registrar cada peça, uma por uma, com a ficha de cadastro que ela mesma criou. O trabalho é coordenado pelo pesquisador Jackson Vieira de Azevedo, com a supervisão da professora doutora Camila Pereira Jácome, da UFOPA, e a parceria do diretor do museu, João Felipe Lobato da Cruz. As estudantes Aline Lopes Ferreira e Maieri da Silva Soares fazem parte do time. O resultado impressiona: mais de 2 mil peças já foram catalogadas, entre um acervo antigo que estava guardado sem organização e as doações novas que não param de chegar. E quem entrega uma peça ainda ouve uma conversa sobre como cuidar de futuros achados, o que transforma cada morador em guardião da nossa história.

Cada peça é examinada, fotografada e registrada em ficha própria.
Cada peça é examinada, fotografada e registrada em ficha própria.
A equipe voluntária em dia de catalogação.
A equipe voluntária em dia de catalogação.

Esse resultado é de todo mundo que mora aqui. Ele coloca Oriximiná no mapa nacional da arqueologia, mostra que o nosso museu pode ser um parceiro de peso para a ciência e prova que estudantes da região conseguem fazer um trabalho reconhecido em todo o país. O que foi organizado agora também prepara o caminho para algo maior: uma reserva técnica de verdade, à altura de um museu que já recebe visitantes de todos os cantos do Brasil e até de fora do país, e que merece guardar a história de Oriximiná com a estrutura que ela pede.

A ACASCEO nasceu da dança, da arte e do amor por Oriximiná e há mais de duas décadas leva a nossa cultura para as festas, para as comunidades e, agora, também para o cenário nacional da preservação do patrimônio. Este resultado prova que uma associação feita aqui, por gente daqui, pode disputar de igual para igual com as maiores instituições do país. Agradecemos à equipe que dedicou meses de trabalho a esse acervo, aos doadores que confiaram suas peças ao museu e a cada pessoa que acompanha e acredita na ACASCEO. Oriximiná tem história, tem gente e tem quem cuide dela, e a ACASCEO seguirá ao lado do museu, da universidade e da comunidade para que essa memória continue de pé.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *