Acasceo conquista selo de Ponto de Cultura: legado de 20 anos reconhecido nacionalmente

A Associação Cultural, Artística e Social Cia. Êxtase de Oriximiná (Acasceo) celebra a certificação como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, via Política Nacional Cultura Viva (PNCV). O selo oficializa o trabalho da entidade no Cadastro Nacional de Pontos e Pontões de Cultura, marcando um avanço decisivo para a cultura local.

Este selo, transforma nossa trajetória de mais de 20 anos como grupo informal e 1 ano de associação legalmente constituída em um legado nacional, reconhecendo nosso compromisso com a formação, a proteção e a promoção dos direitos culturais

A história da Acasceo não nasceu em gabinetes fechados, mas na força viva da cultura de Oriximiná, em 2001, com o surgimento do Grupo Êxtase. Ao longo de 24 anos, o coletivo construiu sua trajetória de forma independente, guiado pela paixão pela dança rítmica e folclórica. Tornou-se assim, um verdadeiro patrimônio imaterial da cidade, conquistando palcos e festivais pela potência de sua arte, sem depender de reconhecimento formal para existir. Com o passar do tempo, surgiu um novo desafio: garantir a continuidade desse legado e ampliar suas possibilidades. Foi então que o grupo compreendeu que, para dialogar diretamente com as políticas públicas e acessar recursos de forma estruturada, era necessário dar um passo estratégico: a formalização institucional.

Em abril de 2025, durante uma assembleia realizada em uma escola pública, esse movimento coletivo ganhou forma jurídica. Nascia oficialmente a Associação Cultural, Artística e Social Cia. Êxtase de Oriximiná – Acasceo, consolidando uma história construída a muitas mãos. A partir desse marco, a associação deixou de ocupar apenas os espaços culturais e passou também a integrar os espaços de decisão. Tornou-se presença ativa em conselhos municipais e nas escutas públicas de leis de incentivos culturais, assumindo um papel protagonista na construção das políticas culturais do território. A formalização, nesse contexto, funcionou como uma ponte entre a experiência acumulada e o reconhecimento institucional. Esse percurso alcançou um momento histórico em 30 de março de 2026, quando a Acasceo foi oficialmente certificada como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, por meio da Política Nacional Cultura Viva. O reconhecimento valida o trabalho desenvolvido pela associação na valorização das expressões culturais, na formação de pessoas e no fortalecimento da identidade comunitária.

Em Oriximiná, o reconhecimento da Acasceo como Ponto de Cultura representa muito mais do que um selo institucional: é um impulso direto para o fortalecimento da identidade cultural amazônica. Esse marco contribui para a valorização de tradições locais, reafirmando a riqueza do território e ampliando o acesso à formação artística para jovens, ribeirinhos e comunidades em situação de vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, fortalece o sentimento de pertencimento e orgulho cultural entre as novas gerações. Integrada à Rede Nacional de Pontos de Cultura, a Acasceo passa a conectar Oriximiná de forma mais direta às políticas públicas federais, ampliando oportunidades de capacitação e a circulação de espetáculos e produções culturais da região. Essa inserção também possibilita trocas com iniciativas de todo o país, enriquecendo práticas e ampliando horizontes. Com o reconhecimento oficial, a associação projeta um crescimento estruturado, com participação em novos editais da Lei Aldir Blanc e tantas outras leis de incentivos culturais, ampliação de oficinas e fortalecimento de ações voltadas à memória cultural. A estratégia se concentra na captação de recursos, no fortalecimento de redes e na integração entre gerações, consolidando Oriximiná como um polo cultural de referência no Pará. A expectativa é ampliar o alcance das atividades e diversificar as linguagens artísticas atendidas. Nesse cenário, a Acasceo avança buscando acesso a fomentos e premiações que garantam a continuidade de suas ações, reafirmando seu compromisso com um impacto duradouro, onde cultura, cidadania e desenvolvimento caminham juntos.

A nossa trajetória mostra que a força de um coletivo não está apenas naquilo que ele cria, mas também na forma como se posiciona para garantir sua continuidade. Em Oriximiná, essa história deixa um recado claro: é possível preservar a essência, a identidade e a autonomia, ao mesmo tempo em que se conquista reconhecimento e espaço nas políticas públicas. Para tantos outros grupos que ainda atuam na informalidade, fica o convite à reflexão. Formalizar não é abandonar a raiz nem engessar a criatividade; é abrir caminhos, acessar direitos, ampliar vozes e garantir que o trabalho realizado com tanto esforço possa alcançar novos horizontes. É transformar resistência em permanência. Que essa conquista inspire outros coletivos a darem esse passo com coragem e consciência, porque, quando a cultura se organiza, ela se fortalece. E, quando se fortalece, ela não apenas resiste, ela ocupa, transforma e constrói futuro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *