
Um pedacinho de barro encontrado no quintal de uma casa de Oriximiná levou o nome da nossa cidade para o topo de uma lista nacional. A ACASCEO, em parceria com o Museu Municipal e com estudantes de Arqueologia da UFOPA, ficou com a terceira maior nota do Brasil no Prêmio Luiz de Castro Faria, a maior premiação do país dedicada a proteger o patrimônio arqueológico. Foi uma disputa de gente grande. Concorreram mais de duzentas propostas de todos os cantos do país, e só 18 chegaram à lista final da nossa categoria, ao lado de universidades e grandes museus. Nossa nota foi 9,30. O segundo lugar ficou com 9,47, uma diferença de apenas 0,17 ponto. Ficamos a um passo do segundo lugar.

O Prêmio Luiz de Castro Faria é promovido pelo Iphan, o órgão do Governo Federal que cuida do patrimônio histórico do Brasil, e reconhece as ações que mais se destacam na proteção da nossa história mais antiga, aquela que está enterrada no chão. Na edição deste ano, os dois projetos que ficaram à frente do nosso trabalham com povos indígenas do Xingu e com educação patrimonial no Maranhão. Estar ali, entre eles, já diz muito. E a ACASCEO tem pouco mais de um ano de existência como associação formalizada, o que torna esse resultado ainda mais bonito.

A história por trás da nota é a melhor parte. Oriximiná é uma terra de cerâmicas antigas. Moradores da cidade e do interior encontram, de vez em quando, vasos e fragmentos feitos por povos que viveram aqui há muitos séculos, e muita gente leva essas peças ao Museu Municipal. O museu recebia tudo com carinho, mas ainda não tinha um espaço técnico para guardar e registrar cada peça, e havia o risco de o tempo apagar essa memória. Foi então que uma equipe voluntária resolveu agir.

Desde novembro de 2025, todo mês, essa turma se reúne no museu para limpar, fotografar e registrar cada peça, uma por uma, com a ficha de cadastro que ela mesma criou. O trabalho é coordenado pelo pesquisador Jackson Vieira de Azevedo, com a supervisão da professora doutora Camila Pereira Jácome, da UFOPA, e a parceria do diretor do museu, João Felipe Lobato da Cruz. As estudantes Aline Lopes Ferreira e Maieri da Silva Soares fazem parte do time. O resultado impressiona: mais de 2 mil peças já foram catalogadas, entre um acervo antigo que estava guardado sem organização e as doações novas que não param de chegar. E quem entrega uma peça ainda ouve uma conversa sobre como cuidar de futuros achados, o que transforma cada morador em guardião da nossa história.


Esse resultado é de todo mundo que mora aqui. Ele coloca Oriximiná no mapa nacional da arqueologia, mostra que o nosso museu pode ser um parceiro de peso para a ciência e prova que estudantes da região conseguem fazer um trabalho reconhecido em todo o país. O que foi organizado agora também prepara o caminho para algo maior: uma reserva técnica de verdade, à altura de um museu que já recebe visitantes de todos os cantos do Brasil e até de fora do país, e que merece guardar a história de Oriximiná com a estrutura que ela pede.
A ACASCEO nasceu da dança, da arte e do amor por Oriximiná e há mais de duas décadas leva a nossa cultura para as festas, para as comunidades e, agora, também para o cenário nacional da preservação do patrimônio. Este resultado prova que uma associação feita aqui, por gente daqui, pode disputar de igual para igual com as maiores instituições do país. Agradecemos à equipe que dedicou meses de trabalho a esse acervo, aos doadores que confiaram suas peças ao museu e a cada pessoa que acompanha e acredita na ACASCEO. Oriximiná tem história, tem gente e tem quem cuide dela, e a ACASCEO seguirá ao lado do museu, da universidade e da comunidade para que essa memória continue de pé.